10/06/2019

André Matos deixa legado no heavy metal

André Coelho Matos (14 de setembro de 1971 – 8 de junho de 2019) foi um garoto paulistano que amou o Iron Maiden e os compositores associados ao universo da música erudita.

Essa mescla inusitada de influências e formações musicais fez a diferença quando esse cantor, compositor, pianista e maestro – morto sábado, aos 47 anos, na cidade natal de São Paulo (SP) – entrou no mundo do metal, ainda adolescente, como integrante da banda paulistana Viper, surgida em 1985.

A formação erudita de pianista levava a crer que André Matos ficaria nas laterais dos palcos. Só que, já no Viper, o artista veio para a frente como vocalista do grupo no qual permaneceu até 1990.

Foi como vocalista e frontman de bandas como Angra e Shaman que André Matos se imortalizou como ícone do heavy metal, gênero musical que concentra milhões de seguidores no universo pop sem precisar fazer concessões e conexões com outros estilos.

Nesse nicho metaleiro, sustentado por público vasto e fiel, André Matos logo se destacou pela técnica vocal, fruto da formação em canto lírico. Com essa técnica, o cantor explorou tanto as regiões vocais agudas que houve quem pensasse que ele cantava em falsete.

Não cantava. Voz aguda do Angra, grupo no qual ingressou em 1991 e do qual saiu ruidosamente em 2000 por conta de desentendimentos empresariais, André Matos alcançou um sucesso além das fronteiras do Brasil, investindo na feitura de um metal com influência de música erudita.

Quando ainda estava no Viper, o cantor já chamara atenção do público do Japão pela voz e pela influência assumida do Iron Maiden. No Angra, Matos ampliou a visibilidade internacional e depurou o metal com toque erudito.

Em 2000, na sequência da ruptura com o Angra, ele fundou a banda Shaman, na qual ficou até 2006, ano em que iniciou carreira solo que rendeu os álbuns Time to be free (2007), Mentalize (2009) e The turn of the lights (2012).

Os retornos do Viper e do Shaman à cena – para shows comemorativos e geralmente saudosistas – acabaram ganhando prioridade na agenda de André Matos nos últimos anos, quando o artista já nada tinha a provar.

Celebrizado como cantor, esse metaleiro erudito – um dos finalistas na disputada pela vaga aberta no Iron Maiden em 1993 com a saída voluntária do vocalista Bruce Dickinson – já tinha angariado respeito como músico e compositor.

Ainda assim, foi como um poderoso vocalista de heavy metal, que André Mattos se eternizou. E é como a voz diferenciada de bandas como Angra e Shaman que o cantor será sempre lembrado com reverência pelo talento singular e com tristeza pela precoce saída de cena.

 

 

 

 

Fonte: G1 Mauro Ferreira