15/06/2020

EP une Nando Reis e Anavitória

Iniciada em agosto de 2017, com exibição pelo Canal Bis do episódio da série Versões em que Anavitória abordou a obra de Nando Reis, a conexão do cantor com a dupla é ampliada com a edição de EP com quatro músicas.

Lançado estrategicamente no Dia dos Namorados, 12 de junho, o disco extrapola a fofura romântica ao longo das quatro faixas captadas na miniturnê que reuniu Nando Reis, Ana Caetano e Vitória Falcão em show que transitou por cinco capitais do Brasil em junho de 2018.

Em dezembro desse ano de 2018, single com registro ao vivo da canção N (Nando Reis, 2006) já oferecera amostra do show do trio – no caso, com a diluição da pegada roqueira da gravação original da composição lançada pelo artista paulista no álbum Sim e não (2006).

O EP Nando Reis e Anavitória juntos – Ao vivo apresenta outros quatro números do show e chega ao universo pop sete meses após N (2019), álbum lançado por Anavitória em 29 de novembro, sem aviso prévio, com repertório inteiramente dedicado ao repertório autoral de Nando Reis.

Nesse disco, em que pese a elegância da produção musical de Tó Brandileone, Anavitória reduziu o cancioneiro de Nando a denominador comum, sem sutilezas, em linha compatível com o universo musical do fofolk que deu fama à dupla.

No EP deste mês de junho de 2020, a pegada resulta mais firme, embora o violão seja o instrumento condutor das quatro gravações. A canção Relicário (Nando Reis, 2000), por exemplo, vai ficando progressivamente enérgica e com pressão roqueira ao longo dos seis minutos e meio do take eternizado no EP Nando Reis e Anavitória juntos – Ao vivo.

Luz dos olhos (Nando Reis, 1996), com quase oito minutos de duração, é focada em clima similar. Balada lançada por Nando em duo com a cantora Ana Cañas, Pra você guardei o amor (Nando Reis, 2009) evolui no tempo de delicadeza exigido pela canção, mas com o calor do público, do toque do violão de Nando e das vozes do trio.

Fora do trilho autoral, mas perfeitamente dentro do tom do EP, há a canção De janeiro a janeiro (2008), ponto luminoso da obra autoral da cantora e compositora Roberta Campos. De romantismo aliciante, De janeiro a janeiro é a boa surpresa do disco. Nando Reis já havia abordado a canção em duo com Roberta, em gravação do segundo álbum da artista, Varrendo a lua (2010).

A abordagem feita com a dupla reedita a ternura desse registro em duo de 2010, fechando bem EP que sedimenta o providencial encontro do trio, bom para Anavitória – cujo repertório ganhou upgrade com as músicas do ex-Titãs – e bom para Nando Reis, pela aproximação com o público jovem da dupla.

 

 

 

 

 

 

Fonte: G1 Mauro Ferreira