17/08/2020

Última temporada de 3% no ar

Era 2016 quando a primeira temporada de 3% chegou à Netflix. Na época, a produção foi uma aposta, por ser a primeira original do streaming no país. Inspirado em um piloto feito por Pedro Aguilera em 2011 (ainda disponível no YouTube), o seriado dividiu opiniões. Enquanto muitos brasileiros não gostaram do que viram, o público de outros países abraçou a série e a tornou um sucesso absoluto da plataforma. Críticas à parte, é inegável que 3% está marcada na história do audiovisual brasileiro e suas quatro temporadas refletem bastante as mudanças que ocorreram no mundo nos últimos quatro anos.

“Foram quatro anos muito ímpares. Começamos a filmar 3% de fato em março de 2016. Então agora, para 2020, [olha] quanta coisa mudou no nosso país. E todo esse processo que a gente passou, 3% foi andando junto. O [Pedro] Aguilera, os roteiristas, os criadores, eles foram acompanhando. Acho que a arte, a história que contamos, é uma grande lupa de aumento. Usamos as alegorias e o mundo distópico para falar sobre o nosso mundo. Sobre o agora, sobre o presente. Se não for assim, não faz sentido”, diz Rodolfo Valente, intérprete de Rafael, ao Omelete.

Na trama, há o Continente, que seria o equivalente ao Brasil, e o Maralto, uma ilha separada. Quem vive no Continente lida com a fome e a miséria, enquanto os habitantes do Maralto desfrutam de tecnologia, natureza, saúde, etc. O 3% que dá título à produção é a quantidade de pessoas que são selecionadas pelo Processo para ir até o Maralto. Com isso, a série fala sobre desigualdade e meritocracia, que são temas sim muito brasileiros, mas que também ressoam mundialmente.

“A crítica social de que poucas pessoas têm muito e muitas pessoas têm muito pouco é universal e é algo que se faz há muito tempo, mas a maneira de fazer é sempre o diferencial. No Brasil temos uma dramaturgia um pouco melodramática. Eu sou apaixonada por isso, então não é uma crítica. O sucesso em outros países de 3%, com um tema que já existe em vários filmes e séries, tem a ver com essa linguagem melodramática. E sinto que o fechamento que o Aguilera traz para a temporada é individualizando a responsabilidade por essa estrutura desigual”, completa Vaneza Oliveira, que faz o papel de Joana.

Como não poderia ser diferente, as jornadas de astros e personagens se confundem na história de 3%. Se Rafael e Joana tiveram um grande desenvolvimento e chegam ao final do seriado diferente de como começaram, o mesmo pode ser dito de seus intérpretes.

“No começo a gente não fazia ideia do que era fazer uma série original Netflix, o que significava isso. Depois que a série estreou a gente descobriu o que é fazer uma série que vai para 190 países, com tantas pessoas de tantos lugares do mundo assistindo. Minha vida mudou de cabeça para baixo. Foi uma revolução na nossa vida. E agora também estamos com essa sensação de ‘Meu Deus, como vai ser esse final?’”, diz Rodolfo. 

Já Vaneza destaca como a equipe se tornou, de fato, uma família. Ela afirma que 50% da equipe da primeira temporada continuou até o final e isso trouxe um clima único para o set. ““Essa trajetória de quatro anos foi de momentos de muito amor, do público, dos fãs. Criamos um ambiente muito carinhoso no set de filmagem e isso faz diferença na hora de realizar seu trabalho”.

O último dia de gravações, em especial, foi quase um rito de passagem para os dois, que terminaram seus trabalhos com apenas um dia de diferença. “Minha última cena junto com a Van foi muito difícil de fazer, porque tinham algumas lembranças, e era impossível não relacionar isso com a nossa história. A gente chorou demais. No dia seguinte, que fiz a última da série mesmo, foi muito especial. A maioria das pessoas estava com a gente desde a primeira temporada, passando por essa trajetória. Já dá uma nostalgia.”, diz Rodolfo.

O choro e a emoção refletem a sensação de missão cumprida. Com sua temporada final já disponível na Netflix, 3% encerra sua jornada com pontos altos e baixos, mas com a certeza de que conseguiu passar sua mensagem. “O que mais fico feliz é como conseguimos captar o público jovem, porque estamos falando sobre futuro. O presente está aqui e está estabelecido, mas o que temos pro futuro?”, completa Vaneza.

 

 

 

 

 

Fonte: Omelete